5 - Arts and culture: the voices of the community

Will it possible - and desirable – to “reroute” art and culture so that they assert themselves in communities, whether on the scale of a street, neighbourhood or village, in the aftermath of the pandemic? Doing so would require priorities in this sector to be reassessed, the work methodologies employed to be altered (for example, appeals would need to be launched to communities, both for information-gathering and in order to involve members of communities in the performances themselves), investments to be made into resources and skills to be acquired. This path would require a change in mindset and in language. Culture will no longer be for the people, rather of the people.

Your comment was successfully submitted

Comment
Your personal data
4 Comments
luis Figueiredo
Técnico Superior
29 Jun 2020
Em Portugal, e devido à pandemia sanitária os artistas e o sector cultural foram os primeiros a parar. De um dia para o outro, artistas e técnicos foram forçados a parar todo o seu trabalho em curso e programado. Mas vimos que não cruzaram os braços, continuaram a criar para todos nós, o seu e o nosso público. Entraram em nossa casa e ofereceram-nos a sua arte. Penso que agora chegou a nossa vez de lhes retribuir o que têm feito por nós. De reconhecer que a vida e as comunidades precisam de arte, precisam de cultura, mais do que nunca.
Os Músicos entretanto pediram às autarquias que paguem aos artistas uma parcela dos espetáculos que estavam marcados, e que foram afetados pelas medidas restritivas para conter a doença covid-19.
Será este o caminho que se espera, do subsídio-dependência, ou haverá concertação sobre o assunto entre os diferentes stakeholderes culturais, e passará a haver um financiamento consagrado em orçamento geral do Estado?
O debate pode ser feito….
Luis Figueiredo
Técnico Superior
28 May 2020
A participação cívica em espaços públicos tem sido, e é, objecto de poder, e por isso é passível de conflito entre os dirigentes ou técnicos e o poder local (político). Verifica-se com alguma frequência situações em que a motivação de alguns funcionários, ou agentes dos espaços, é orientada pelo desejo de protagonismo e de procura de visibilidade na intervenção que efectuam nas comunidades locais.
Esta atitude revela-se certamente muito melindrosa e é discutível, pois se por um lado procuram servir a comunidade em que está inserido, funcionando de acordo com quem gere a Cultura local, mesmo indo de certa forma ao encontro dos anseios dessa mesma população, por outro lado parece que corresponde ao desejo de lutar contra a injustiça social, por novas ideias e pelo exercício do direito de cidadania.
A participação cívica contribui para criar o sentido da identidade dos líderes locais assumindo aspectos profissionais, familiares, lúdicos, cívicos e políticos que a todos contagia.
As acções e interacções desenvolvidas num possível quadro associativo, em pequenas comunidades locais, acabam por favorecer o desenvolvimento local porque materializam o fortalecimento de diversos tipos de redes (familiares, sociais, institucionais) essenciais à construção social da cidadania.
Aqui sim, é possível conviver-se muito bem com todos os Stakeholderes.
Será possível vislumbrarmos uma nova forma de contextualizar os Museus, os Monumentos, o Património, as Artes e a Cultura, neste momento de pósCóvid-19? Olharmos este momento de confinamento como um momento de reflexão que nos permite novas oportunidades?
Será possível alterarmos comportamentos e atitudes?
Creio que sim!
Patrícia Martins
Técnico Superior de Animação Cultural
22 May 2020
A cultura pode e deve no meu entender ser feita com a e para a comunidade, com as comunidades.
Não só por uma questão que remete para a formação de públicos, mas também numa lógica de participação e implicância no processo de construção de identidade.
A participação da comunidade no processo artístico e criativo gera encontro, reflexão, pensamento critico, conhecimento e experimentação, gera embodied knowledge e vontade de participação na esfera pública. Os processos da arte participativa e comunitária geram empoderamento dos envolvidos e muitas vezes são chamadas de atenção para questões de cultura, identidade, questões sociais...

A resposta à questão : "Implicaria mudar o sujeito: pela – cultura do território, em vez de – cultura para o território." estará em encontrar um equilibro entre ambas.

Importa também mais uma vez pensar o papel da mediação nestes processos.
Dóris Santos
Museóloga
21 May 2020
Ao nível dos museus, nomeadamente os de maior proximidade local ou regional, já vinha sendo desenvolvida uma política de apelo à comunidade, através de projetos que visam não apenas a recolha de informação sobre a mesma (e sobre as coleções e realidades que o museu representa), mas sobretudo o seu envolvimento enquanto protagonista na (re)construção de narrativas, promovendo o desenvolvimento pessoal, o sentido de pertença e o seu bem-estar.
Cito, por exemplo, o projeto “PELOS QUE ANDAM SOBRE AS ÁGUAS DO MAR" (iniciado em 2017 e ainda em curso), um espectáculo de teatro-documentário a partir da obra “OS PESCADORES” (Raul Brandão), que tem percorrido as comunidades piscatórias descritas por aquele escritor no início do século XX. Conciliando a investigação antropológica com a dimensão artística, na Nazaré (onde teve duas apresentações, em 2017-2018), o projeto compreendeu residências artísticas, entrevistas a pescadores e suas famílias, participação do Museu Dr. Joaquim Manso e de um grupo de folclore, resultando na apresentação de 2 espectáculos que colocaram em palco 2 atrizes e elementos da própria comunidade.
Não atraindo públicos de massas, mas versando apresentações mais intimistas, projetos como estes deixam "marcas" transformadoras nos participantes, impulsionando sentimentos agregadores e pontes entre diferentes expressões.
A pandemia poderá ter vindo dar maior visibilidade a este apelo que há muito se vinha reclamando entre os profissionais da arte e da cultura em geral, mas sempre silenciado ou remetido para um plano secundário da programação por imperativos numéricos ou de receita. Pensar apenas para a micro-escala ou para a escala local, era tido como algo de cariz mais social do que cultural, que se podia cumprir, mas pontualmente no quadro de um altruísmo social, que tinha de ser avaliado em função de critérios de rentabilidade e receita.
Esta poderá ser uma das mais-valias deste abrupto episódio de mudança imposta pela pandemia: a de efetivamente podermos reordenar as prioridades dos projetos, dar voz ao que de “bom” já se vinha fazendo para a integração da comunidade, numa óptica da cultura para o território.