09
abr2022
21h30 Até 23h00

40º FML | Coro e Orquestra da DeCA/UA & Orquestra Filarmonia das Beiras "Requiem Alemão de Brahms"

Batalha
Igreja do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha
Música
Igreja do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha

Sinopse

A génese do Requiem Alemão não é consensual entre os estudiosos do compositor, mas tudo aponta para que o ponto de partida para a sua composição tenha sido a trágica morte do seu benfeitor e devotado amigo Robert Schumann em 1856, que muito afetou o compositor, e o próprio nome dado à obra, Ein Deutsches Requiem, aparece registado no caderno de projetos que Schumann deixou, neste caso com breves indicações para uma possível obra que teria a intenção de vir a compor.

Tal como outras obras de maiores dimensões, como as sinfonias e os concertos, também o Requiem foi sendo composto ao longo de um largo período de tempo, sendo provável que a sua composição se tenha iniciado ainda no final dos anos 50 do séc. XIX ou nos primeiros anos da década de 60, atingido a sua versão definitiva só em 1869. Em 1864 Brahms enviou a Clara Schumann um esboço do que viria a ser o 4º andamento e nos anos seguintes terá concluído o 1º, 2º e 3º. Em dezembro de 1867 foi realizada, sem grande sucesso, uma apresentação dos três primeiros andamentos no Vienna Gesellschaft der Musikfreunde.Após alguma revisão da obra, o próprio Brahms dirigiu a sua estreia (ainda sem o 5º andamento) na Catedral de Bremen na Sexta-feira Santa, 10 de abril, de 1868 para cerca de 2000 pessoas. Nesse dia, aos 35 anos de idade, Brahms recebeu o primeiro reconhecimento público como verdadeiro compositor. Após este enorme sucesso, a obra foi apresenta nessa versão mais algumas vezes e o compositor viria a acrescentar mais um andamento, o 5º na versão final. Alguns autores afirmam que Brahms terá composto este andamento em memória da sua mãe, que tinha falecido já em 1854, e de quem o compositor era muito chegado. No ano seguinte, a 18 de fevereiro de 1869, foi finalmente estreada em Leipzig a versão definitiva da obra.

Do ponto de vista estritamente musical, é importante referir que a fase de composição do Requiem coincide também com o período em que Brahms mais se dedicou ao estudo da música antiga, nomeadamente de compositores como Schütz, Bach e Handel, cuja influência se pode encontrar na escrita coral deste último, no uso da fuga e do contraponto de Bach e, eventualmente, numa abordagem mais espiritual do primeiro. De facto, Schütz havia iniciado a tradição da composição das obras em língua alemã sobre a temática da morte com as suas Musikalische Exequiem em 1636 para as quais escolheu ele próprio os textos a partir da bíblia luterana alemã, tal como Brahms viria a fazer no seu Requiem. Exemplos posteriores podem ser encontrados na Cantata Gottes Zeit ist die allerbeste Zeit, BWV 106 (Actus Tragicus) de Bach e na obra secular, baseada nos textos de Goethe Wilhelm Meister, do próprio Schumann, Requiem für Mignon. A escolha do texto faz desta composição de Brahms uma obra singular. A sua conceção, fundada na tradição protestante, mais focada na consolação dos mortos e dos que sofrem com a morte, contrasta de alguma forma com a perspetiva presente no Requiem latino que atribui uma especial importância ao dia do juízo final em que todos serão julgados pelos seus atos terrenos.


Um aspeto interessante da arquitetura da obra reside na sua estrutura em espelho, em que o 1º e o último andamento partilham do mesmo material musical e a mesma mensagem de consolação, o 2º e o 6º são mais focados na imagem da morte, em que o carácter ansioso do 3º contrasta com a serenidade e a ideia de conforto do 5º, e em que 4º andamento, com o seu carácter doce sob o texto “Quão amáveis são as tuas moradas”, representa o centro da obra.

 

Programa

Johannes BRAHMS – Requiem Alemão, Op. 45

I. Selig sind, die da Leid tragen (Felizes os que sofrem)
Coro (Ziemlich langsam und mit Ausdruck)

II. Denn alles Fleisch, es ist wie Gras (Porque toda a carne é como a erva)
Coro (Langsam, marschmäßig - Un poco sostenuto - Allegro non troppo)

III. Herr, lehre doch mich (Senhor, ensina-me a compreender)
Barítono solo e Coro (Andante moderato)

IV. Wie lieblich sind Deine Wohnungen (Como são amáveis as Tuas moradas)
Coro (Mäßig bewegt)

V. Ihr habt nun Traurigkeit (Agora estáis tristes)
Soprano solo e Coro (Langsam)

VI. Denn wir haben hie keine bleibende Satt (Aqui não temos uma morada permanente)
Barítono solo e Coro (Andante - Vivace - Allegro)

VII. Selig sind die Toten, die in dem Herrn sterben (Felizes os mortos)
Coro (Feierlich)

Ficha técnica

Direção de António Vassalo Lourenço

Outras informações

Entrada gratuita na Igreja do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha, sujeita à lotação da sala.