09
fev2022 quarta
21h30 Até 00h10

CICLO DE CINEMA EMIR KUSTURICA: "UNDERGROUND - ERA UMA VEZ UM PAÍS"

Ourém
TEATRO MUNICIPAL DE OURÉM - SALA ESTÚDIO
Animação Cultural Cinema

Sinopse

Dez anos após "O Pai foi em viagem de negócios", Emir Kusturica volta a conquistar a Palma de Ouro em Cannes com "Underground-Era uma vez um país".

Em 1941, Belgrado é bombardeada pelas forças nazis. Um grupo de resistentes jugoslavos refugia-se numa enorme cave, onde começam a fabricar armas. Entre eles está Marko e o seu amigo Blacky, ambos fascinados por Natalija, uma actriz que anda envolvida com um oficial alemão. A pouco e pouco, Marko torna-se o único intermediário e elo de ligação entre o grupo da cave e o Mundo exterior. Em 1961, Marko colabora com Tito, está casado com Natalija e mantém o grupo da cave a trabalhar, que acredita que a guerra ainda não terminou. Marko ganha uma fortuna com o tráfico das armas produzidas pelo grupo da cave, que entretanto celebra o casamento de Jovan, o filho de Blacky. Os dois fogem por uma brecha numa das paredes, enquanto na superficie Marko e Natalija partem depois de ter feito explodir o acesso à cave.

Em 1992, durante a guerra civil, Marko e a mulher continuam a ganhar fortunas vendendo armas na Bósnia. Capturados pelos Sérvios, são executados sob as ordens involuntárias de Blacky, que regressa à cave em busca do seu grupo de resistentes. Mesmo sensual, como sabe retratar o ser humano nas suas baixezas e glórias.

Trata-se de uma nova e fantástica visão da Jugoslávia a partir de uma espécie de fábula quase anedótica sobre um grupo de resistentes que se refugiam numa cave durante o bombardeamento de Belgrado pelos nazis em 1941, onde permanecem durante cinquenta anos convencidos de que a guerra não terminou. Quando deixam a cave a guerra continua, embora agora seja a guerra civil na Bósnia que ditou o fim da federação jugoslava.

Kusturica assina uma obra cinematográfica de uma espantosa dimensão jubilatória, trágica, delirante e comovente, onde faz convergir toda a mestria, inventiva, poesia, truculência, ironia e surrealismo do seu cinema. Uma fabulosa reinvenção da metáfora da gruta adaptada à trágica realidade de um país dividido pelas guerras e subjugado por um regime totalitário entre elas. Um filme verdadeiramente invulgar e fascinante, onde se reflete de forma portentosa sobre a História e a condição humana.