11
mar2022 sexta
21h30 Até 22h45

Rogério Nuno Costa | Missed-en-Abîme

Torres Vedras
Teatro-Cine de Torres Vedras
Multidisciplinar

Sinopse

Em 1917, Marcel Duchamp escreve 1917 num urinol virado ao contrário. Em 1919, desenha um bigode no mais importante retrato da história da arte, não o original (ele não é Banksy), nem sequer uma reprodução (a Pop não havia ainda sido inventada), antes um retrato que ele próprio pintou, assim copiando o original e, ao fazê-lo, quase repetindo Melville: I would prefer not to.

Em 1921, Man Ray fotografa Duchamp enquanto Rrose Sélavy, fechando o ciclo, ou então abrindo o caminho para o desaparecimento do artista por trás do retrato. Um século depois, ainda não sabemos relacionar-nos, histórica ou artisticamente, com a radicalidade de tais gestos, ora descredibilizando-os (ou procurando-lhes novas autorias), ora atribuindo-lhes uma qualquer intransponibilidade ou irresolução histórica.

MISSED-EN-ABÎME quer falar sobre um gesto (centenário) que pode ser lido enquanto destruição, revelação, ou simplesmente ostracismo autoimposto, como se fosse impossível fazer seja o que for depois de se ter obliterado (quase) tudo. Duchamp terá passado décadas da sua vida a fazer nada, razão pela qual Enrique Vila-Matas lhe terá dedicado algumas notas no seu romance dos autores-do-não (Bartleby & Cia., 2000): "Uma vez, em Paris, o artista Naum Gabo pergunta a Marcel Duchamp porque havia ele parado de pintar. “Mais que voulez-vous?”, responde Duchamp, levantando os braços no ar. “Je n’ai plus d’idées!” ". A partir deste impasse, e através da ritualização de um isolacionismo queer e sacrificial, MISSED-EN-ABÎME atreve-se a revisitar a negligência de Duchamp, não para lhe atribuir uma solução — "…parce qu’il n’y a pas de problème" —, antes para aceitar o insucesso, o afastamento, a invisibilidade e o esquecimento, quiçá o desaparecimento, não como rituais de vitimização ou opressão autoinfligida, mas enquanto gestos de resistência/sobrevivência.

O projeto, subintitulado Psicobiografia de um Herói Perdedor (1917-1921), contempla um dispositivo tripartido (performance/instalação, livro e filme) pensado em diálogo com o espaço do museu de arte contemporânea, assim concluindo um percurso investigativo em torno da tríade Arte-História-Solidão realizado por Rogério Nuno Costa em colaboração com artistas e pensadorxs de Portugal e da Finlândia.

Ficha técnica

PERFORMANCE/INSTALAÇÃO

Direção, Criação e Interpretação: Rogério Nuno Costa

Produção Executiva: Inês Carvalho e Lemos

Pintura: Luís Lázaro Matos

Desenho de Luz: Kristian Palmu  

Arte Sonora: Niko Skorpio

Dramaturgia de Movimento: Pie Kär

Design Gráfico, Animações & Assistência: Jani Nummela

Workshop & Apoio Dramatúrgico: Colectivo FACA (Andreia Coutinho e Maribel Sobreira) | Fotografia de Cena: Miguel Refresco

Captação Vídeo & Chroma Key: Mário Jerónimo Negrão  

Tradução (Francês): Graça dos Santos

Tradução (Finlandês): Jani Nummela

Olhar Exterior: Susana Otero

Assistência à Captação de Som: Vasco Rodrigues

Adaptação Desenho de Luz (2022): João Pedro Fonseca.

 

LIVRO

Direção & Coordenação: Rogério Nuno Costa

Design Gráfico & Ilustração: Jani Nummela

Capa: Luís Lázaro Matos

Produção: Inês Carvalho e Lemos

Contribuições Textuais/Visuais: Ana Rito & Hugo Barata, António Olaio, Colectivo FACA, Eduarda Neves, Graça dos Santos, Jani Nummela, João Pedro Azul, Rogério Nuno Costa, entre outrxs (sujeitos anónimos e/ou encontrados) |

Fotografias: David Pissarra, Miguel Refresco e Alípio Padilha.

 

 

MISSED-EN-ABÎME é um projeto apoiado pela República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes.

 

Coprodução: Teatro Viriato e MUDAS Museu de Arte Contemporânea da Madeira.

Apoio à Mobilidade: TelepART, Instituto Iberoamericano de Finlandia.

Residências: Rua das Gaivotas 6, Là-Bas Studio/Kaapelitehdas, Aalto University (School of Arts, Design and Architecture), Cité Internationale Universitaire de Paris – Maison du Portugal, CAMPUS Paulo Cunha e Silva. Pré-apresentações: Museum of Impossible Forms (Helsínquia, 2018), Maison du Portugal/Parfums de Lisbonne (Paris, 2021).

Estreia: Serralves Museu de Arte Contemporânea, O Museu Como Performance (Porto). Digressão: Festival Contradança (Covilhã), Festival Temps d’Images/Museu Coleção Berardo (Lisboa), Teatro Viriato/Festival END (Viseu), Chão de Oliva/Festival Periferias (Sintra),Teatro-Cine de Torres Vedras, MUDAS Museu de Arte Contemporânea da Madeira.

Apoios: A Bela Associação (Almada), Ballet Contemporâneo do Norte (Sta. Maria da Feira), Estrutura (Porto), Teatro Feiticeiro do Norte (Funchal), Teatro do Bairro Alto, CAMPUS Paulo Cunha e Silva.

Outras informações

Preço: 5,00 euros

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