26
out2021
21h30 Até 22h30

TRIO DE PEDRO CALDEIRA CABRAL

Leiria
Teatro José Lúcio da Silva
Música

Sinopse

A arte dos instrumentos musicais na idade média

Pedro Caldeira Cabral

Os instrumentos musicais ocupam um lugar importante na redescoberta e reconstituição actual da Música da Idade Média (séculos XII a XV).
Até um período recente, os musicólogos dispunham apenas de uma informação escassa sobre os instrumentos e o seu uso no contexto da produção musical secular. Actualmente, podemos formar uma imagem muito mais nítida da realidade histórica, sobretudo no que diz respeito aos instrumentos musicais utilizados no espaço cultural ibérico no período trovadoresco. Os instrumentos musicais são hoje considerados e estudados como objectos de Arte em si mesmos, e não apenas como veículos de outra arte: a Música. podemos hoje reflectir sobre as relações entre as Artes Liberais e os instrumentos, bem como a sua dimensão simbólica ou o reflexo das mentalidades em certas técnicas com implicações musicais. A importância dos instrumentos musicais no espaço peninsular neste período é-nos transmitida por numerosos testemunhos literários e iconográficos. Começando pelo Codice Calixtino (séc. XII), que nos refere a utilização de numerosos instrumentos musicais usados pelos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela e nos fornece também alguns textos musicais, e, terminando com o extenso poema do Arcipreste de Hita no Livro de Buen Amor (séc. XIV), encontramos uma completíssima nomenclatura organológica do período medieval. O complemento iconográfico é essencial para a reconstituição moderna, sendo este fornecido, entre outras fontes, pelas esculturas dos pórticos das catedrais de Santiago e Orense (séc. XI e XII) ou o menos conhecido portal da igreja de San Martin de Noya, Galiza (séc. XV), ou em Portugal os casos do pórtico do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Batalha, ou da igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães, ambos do século XV. Temos também as iluminuras de manuscritos como o do Códice do Escorial, das Cantigas de Santa Maria ou as do nosso Cancioneiro da Ajuda (séc. XIII e XIV), etc. Complementando esta informação dispersa , sobrevivem alguns tratados manuscritos dos séculos XIII e XIV com figuras que nos fornecem a identificação cabal dos instrumentos musicais, dos seus nomes e de algumas técnicas específicas a eles aplicadas.
Concluindo, pretendemos com este espectáculo dar a conhecer a riqueza instrumental dum período que geralmente se associa às formas mais estáticas da musica religiosa que excluíam o uso dos instrumentos musicais, ilustrando de forma viva o uso dos mesmos nas práticas musicais seculares.

© Pedro Caldeira Cabral 2021

Ficha técnica

TRIO DE PEDRO CALDEIRA CABRAL

Pedro Caldeira Cabral – Viola e Lira de Arco, Baldosa, Cítola, Guitarra
Latina, Arrabil, Flauta de Pan, Exabeba, Doçaina, Flauta de Tamborileiro, Dulzaina, Charamela e Gaitas de Fole.
Joaquim António Silva – Alaúde, Viola de Arco, Doçaina e Gaitas de Fole.

Fernando Marques Gomes – Baldosa, Exabeba, Tíbia, Atabaque, Atabales,

Outras informações

 
 
 
 

Programa

Lamento de Tristan-La Rotta Anónimo (c. 1260)
CSM 166 Alfonso X, O Sábio (1221-1284)
Cantiga 6 D.Dinis (1264-1325)
Saltarello Anónimo (c.1350)
Ductia Anónimo (c.1270)
CSM 59 Alfonso X, O Sábio (1221-1284)
Saltarello Anónimo (c.1270)
Cantiga de trovador Anónimo (c.1200)
CSM 7 Alfonso X, O Sábio (1221-1284)
Ductia Anónimo (c. 1270)
CSM 353 Alfonso X, O Sábio (1221-1284)
Vayamos irmana Anónimo (c.1260)
5ª Estampida Real Anónimo (c. 1300)
Dança Real Anónimo (c. 1270)
CSM 116 Alfonso X, O Sábio (1221-1284)