Florbela Santos

Lourinhã
Livro e Pensamento

"Não sabia que a Florbela escrevia"

É o comentário que mais ouço ultimamente. E para dizer a verdade, eu própria também não o sabia. Não me lembro do dia ou propriamente do momento em que decidi escrever.

Lembro-me contudo de ser absolutamente viciada em leitura, desde sempre. Nos anos 80, dirigia-me á Biblioteca Itenerante para requisitar livros, que devorava em poucos dias. Desses tempos marcaram-me livros como "Os Filhos da Droga" de Christiane F (que li ás escondidas por a minha mãe achar que não era livro para uma menina de 15 anos) e uns anos mais tarde, "Pássaros Feridos"de Colleen McCollough, um fantástico romance que se desenrola na Austrália na primeira metade do século XX (também este um livro que me ficaria "na alma").

Lembro-me de que quando lia uma boa história, parava para contemplar a imaginação e capacidade criativa do autor(a).

Casei cedo, consequentemente, cedo fui mãe e cedo entrei no competitivo mercado de trabalho. Seguiram-se duas décadas em que a leitura praticamente deixou de fazer parte do meu quotidiano. Esse prazer ficou hibernado em mim.

Até que aos 40 anos fiz um balanço de meu percurso pessoal, e sentindo que felizmente tinha atingido as principais metas como ser humano- tinha uma carreira promissora, os filhos estavam "encaminhados", e tinha entretanto assumido vários projetos sociais, nomeadamente a fundação do Grupo Cénico Amador de Ribamar, a criação de eventos culturais, como o Carnaval de Ribamar, e até ter passado pela singular experiencia de ter sido primeira dama da freguesia, dado de o meu marido ter sido presidente desta freguesia por quatro anos. 

Por coincidência, em todos estes projetos, a escrita esteve sempre presente, onde tive o previlégio de escrever artigos para jornais, discursos, peças de teatro e uma biografia.

Em 2013, a paixão pela escrita falou mais alto, e deixei embrionar a ideia de o fazer a sério, lançando-me na mais ousada aventura até então, escrevendo um livro, sim, um livro a sério.

De inicio não dei demasiada importancia ao projeto, pois ciente da dificuldade em se ser escritor em Portugal, não me quis iludir em demasia. Mas estava tão determinada que pensei que se não conseguisse editar o livro, o faria apenas para o oferecer aos meus filhos. Só que o apoio que senti foi tal, que me senti realmente comprometida em realizar o meu sonho- editar um livro.

Pesquisei durante horas, passei serões a escrever, negociei com editoras, esbocei maquetes para capas, etc...e nasceu o meu primeiro livro, "A Filha da Lenda", a história de um pirata, que sobrevive a um naufrágio na nossa costa, mas tem que lutar para sobreviver á furia da população, que arrasada pelo fenomeno da pirataria, o matará sem hesitar.

O lançamento deste livro foi um sucesso, o que me impulsionou a no ano seguinte lançar "Voltarei a Ver-te", a continução da história do pirata Andrés, que se deixou atrair pela jovem portuguesa Matilde.

O tema da pirataria é para mim apaixonante, dado as histórias que ouvia em pequena. O meu terceiro livro, "A Vida em Cacos" foi algo delicioso de escrever, pois baseando-se numa história veridica, narra o desaparecimento de um pai, na grande vaga de emigração de há 100 anos, na voz de uma doce menina de 4 anos, a sua filha, minha avó.

De todo o processo de escrita, o que muito me engrandeceu, foi a opinião de tantas pessoas que me disseram que já não liam há anos, mas dado o interesse das minhas obras e a forma simples como escrevo, voltaram a ser devotas de leitura.

Termino partilhando o quanto escrever é para mim um prazer, e (apesar de não saber uma nota de música) quando me sento frente ao computador, sinto-me como se estivesse no piano a tocar uma bela partitura de musica.

Um abraço, Florbela.

 

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2530-628- Ribamar Lourinhã

Outras informações

livros publicados

2013- A Filha da Lenda

2014- Voltarei a Ver-te

2017- A vida em Cacos

atualmente a trabalhar na trilogia A Filha da Lenda, o terceiro livro.