Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré

Nazaré
Etnografia/ Folclore

“Quem não rema, já remou…”

Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré

 

Esta expressão Nazarena, dá-nos o mote para este breve historial da vida do Grupo Etnográfico de Danças e Cantares da Nazaré.

O tempo dos “chamadores” findou, o areal já não está povoado de mulheres e homens na azáfama do trabalho e da vida… Os tempos são outros. A nossa Nazaré, hoje cada vez mais cosmopolita, tem um novo dinamismo, um outro reconhecimento nacional e internacional. No entanto, e num mundo cada vez mais globalizado, onde o processo de aculturação é cada vez mais evidente, há a necessidade de recuarmos um pouco ao nosso passado, à nossa identidade cultural, e recuperar a história do que fomos enquanto povo, enquanto sociedade, para que, por muito que a nossa Comunidade evolua, nunca se perca aquilo que é a sua base identitária, e nunca se esqueça, o muito que as gerações passadas lutaram, para que os de hoje, e os de amanhã, tenham um presente e um futuro mais promissores.

Foi com este desígnio que nasceu o projeto do Grupo Etnográfico, que teve a sua fundação a 25 de Julho de 1997.

O trabalho que este Grupo se tem permitido a desenvolver, assenta, principalmente na preservação da memória coletiva da Comunidade Nazarena. Despertar memórias nos mais velhos, dar a conhecer o passado aos mais novos, preservar as tradições é um dos intentos deste Grupo em todos os trabalhos que realiza.

No ano em que completa 24 anos da sua fundação, podemos, com propriedade, encetar uma viagem pelo que tem sido a história e vida deste Grupo.

Em junho de 1999 foi admitido como sócio do Inatel, no seguimento do trabalho no qual participou a convite desta Entidade, integrado no Programa Cultural da Expo 98, denominado “Evocação do mar – Trabalho e festa, cantos e danças”, comemorativo do dia da Santa Sé e, a convite da Comissão Nacional dos Descobrimentos, participou ainda no programa “Sabores do mar”, igualmente na Expo 98. Em janeiro de 2001, e tendo completado todo o processo de reconhecimento da sua qualidade etnográfica, foi admitido como membro da Federação do Folclore Português.

Reconhecendo que a transmissão da tradição, ancorada nas lembranças e aprendizagens do passado, se alojam na memória individual e coletiva, e que, em parte, é nela que reside a identidade de um povo, o Grupo Etnográfico, tem elevado o nome da Nazaré, e transportado, todos quantos assistem às suas representações, à Nazaré dos anos 20 aos anos 40, período no qual baseou a sua identidade e ancorou a sua pesquisa. 

Este Grupo conta com inúmeras participações em Programas de Televisão, tais como “Jardim das Estrelas”, “Praça da Alegria”, “Portugal no Coração”, “Portugal em Direto”, “Portugal Português” e foi o convidado especial do primeiro programa do “Aqui Portugal”.

No que concerne às representações fora de Portugal Continental, o Grupo Etnográfico, esteve em representação nas ilhas da Madeira e Açores, em Espanha, França, Andorra e Luxemburgo.

Em 2016, e pelas comemorações do centenário do nascimento de Bonifácio Lázaro Lozano, pintor de veia expressionista, que dedicou uma grande parte da sua obra à gente da Nazaré (a sua terra Natal), participou, em Oeiras, na inauguração de uma rua no Parque dos Poetas, com o nome do Pintor, e no espetáculo, que teve lugar no Teatro Chaby Pinheiro, onde, entre outras coisas, recriou o famoso tríptico, intitulado “Gente de Mar” de Lazaro Lozano.

Mas, a atividade deste Grupo vai muito para além da componente lúdica. Pedra basilar da sua atividade, assenta no profundo trabalho de pesquisa do traje e da tradição oral, que permitem que este Grupo, reúna todas as condições, para que se proponha a realizar exposições “Traje, usos e costumes”, colóquios “Repensar o Folclore”, “Nazaré, Espaços e Memórias” , ”A religiosidade na vida da Nazaré”,e a edição de livrosNazaré, Tradição e História” e “Procissão do Mar”.

De há uns anos a esta parte, por altura da Quadra Natalícia, o Grupo Etnográfico encetou outro projeto, que tem vindo a ser reconhecido e apreciado tanto pela Comunidade Nazarena, como por todos quantos vêm de visita à Nazaré… os Presépios Tradicionais da Nazaré. Este projeto, além de recriar os presépios das tradicionais figuras de barro, criou, de raiz, um presépio onde estão representados os 3 núcleos populacionais da freguesia da Nazaré. A pretensão, deste trabalho, foi trazer para o presente o traçado e a organização arquitetónica do passado, trabalho realizado com base na pesquisa do espólio fotográfico de Álvaro Laborinho (ano de 1900 até 1930), bem como, a organização social da população; Retratar as idiossincrasias destes três núcleos, a Pederneira com a sua ligação à terra, o Sítio com a sua traça religiosa, a Praia com a dicotomia senhorial e dos pés descalços, e no seu conjunto, a coesão e a beleza de um todo.

Por altura da Páscoa, e já há 6 anos a esta parte, promove o Desfile Etnográfico, com cerca de 100 figurantes e carros alusivos à vida das gentes da Nazaré, bem como, o Mercado Tradicional como há 100 anos.

A história deste Grupo, faz-se igualmente, da sua participação, assumindo, igualmente, o papel de co-produtores, nos Musicais “Nazaré d’aquém e d’além” e “Minha Terra minha Gente”, onde os elementos do Grupo Etnográfico participaram e recriaram quadros nazarenos que provocaram sentimentos de saudade e enorme emoção, em quem assistiu.

Em 2016, e no seguimento do reconhecimento da sua qualidade etnográfica, o Grupo Etnográfico foi convidado a assumir a direção de guarda-roupa em 2 produções teatrais, realizadas pelo Grupo de Teatro do Coro de Santa Maria da Murtosa e pelo Grupo de Teatro Área de Serviço do Cartaxo, que levaram à cena a peça de Miguel Torga “O Mar”.

Já em 2018, colaborou com a produção do filme e série, para a RTP, “Terra Nova”, com produção do cineasta Joaquim Leitão, na cedência de peças para o guarda-roupa, tendo integrado a equipa de figuração nas cenas rodadas na Nazaré e em Lisboa.

No espírito do intercâmbio cultural, o Grupo Etnográfico organiza, anualmente, dois festivais de folclore, em julho e setembro, o primeiro em comemoração do seu ano fundação, com o apoio da Câmara Municipal da Nazaré, e o outro integrado nas Festas em Honra de NªSª da Nazaré, no Sitio da Nazaré, conjuntamente com a Confraria de Nª Sª da Nazaré.

Em 2017 e 2018, o Grupo Etnográfico colaborou com o encenador Miguel Jesus, a Coordenadora Raquel Belchior e as atrizes Ana Lúcia Palminha e Suzana Branco, numa encenação baseada na obra “Os Pescadores”, de Raul Brandão, resultante de um trabalho de investigação realizado nas comunidades piscatórias de Portimão, Nazaré, Sesimbra, Setúbal e Montijo, e na investigação antropológica de Vanessa Amorim. Uma das atividades que integrou o Projeto Nazaré Marés de Maio.

No ano de 2018, o Grupo Etnográfico foi convidado pela Associação de Folclore da Alta-Estramadura, da Federação do Folclore Português, a estar presente no Desfile do Traje Popular Português, que se realizou em Gondomar. O convite foi no sentido de a Nazaré, estar representada com um quadro etnográfico que retratasse as gentes do mar. E assim foi… Recriando o alar da Rede Xávega e o sentimento de dor a que esta população, durante anos, esteve sujeita, pelos inúmeros naufrágios…  

É importante referir que os elementos do Grupo Etnográfico, são um elemento chave para que se possam realizar todas as atividades, com qualidade e dignidade. Este Grupo conta com cerca de 45 elementos, que se distribuem pela dança e pela etnografia, e promovem a Nazaré nas cerca de 40 atuações anuais que o Grupo realiza. Qualquer Grupo que se insere numa Comunidade, tem de assumir um papel de responsabilidade social para com ela. O trabalho realizado com o seu componente João Valdemar, surdo-mudo de nascença, tem-se afigurado como um desafio diário, mas grandemente recompensador, e um alerta a todos para promoção da igualdade de oportunidades das pessoas portadoras de deficiência e/ou incapacidade.

Igualmente importante, é a colaboração com todas as Entidades do Concelho, para a qual o Grupo Etnográfico se encontra sempre disponível.

A história deste Grupo, também é feita de perdas dolorosas… “ Há gente que fica na história, na história da gente”… A homenagem deste Grupo a Ana Maria Delgado, Carlos Alberto Taveira, Emídio Barbosa, Joaquim Remígio “Quim Maçãs”, Mário “Ciúmes do Mar”, Leonel do Rio e, o José Rui Delgado, que foi o primeiro ensaiador do Grupo Etnográfico, o “mestre” que sendo um espírito brincalhão, era exigente em tudo o que dizia respeito à representação da Nazaré. Quando nos deixou, o seu papel foi assumido por M.ª de Lurdes Barqueiro, que, pela Nazaré e pelo Grupo Etnográfico, tem uma paixão e dedicação sem fim.

A Direção deste Grupo, é, desde a sua fundação, assumida por Fernando Barqueiro, cuja dedicação à causa do Folclore, à preservação da memória coletiva da Comunidade Nazarena, tem sido, um dos desígnios pessoais e de uma vida.

É difícil descrever as pretensões que estão por detrás do trabalho do Grupo Etnográfico… ele reside e constrói-se a partir do amor que se tem pela Nazaré, pela sua história, do desejo em não deixar morrer as tradições, de perpetuá-las cultivando este orgulho de ser nazareno nas gerações vindouras…

 

 

O trabalho do Grupo Etnográfico é um reconhecimento a todos quantos remaram pela Nazaré…

O nosso bem-haja!

G.E.D.C.N.

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Presidente da Direção: Fernando Barqueiro - Contacto: 91 931 22 32/ 262 552 113 - e-mail: [email protected]