Museu Municipal Hipólito Cabaço

Alenquer
Museus

 

O arqueólogo e a obra

Hipólito de Almeida da Costa Cabaço, nasceu em 1885 no lugar do Paiol, freguesia de Aldeia Galega da Merceana, concelho de Alenquer, e veio a falecer em 1970.

Filho de um lavrador e comerciante, fixa-se em França em 1901, com o objectivo em se especializar no tratamento e fabrico de vinhos. É nos museus franceses que desperta para a arqueologia e, sobretudo, para o material do Periodo Paleolítico.

Regressado a Portugal em 1903, desde logo inicia, com os primeiros achados, “a mais extensa e coerente obra de prospeção e exploração dentro dos domínios da Pré-História, realizada na primeira metade do século XX, sobretudo nesse sector ingrato, difícil e controverso que é o Paleolítico”. Palavras de Maria Amélia Horta Pereira, que define Hipólito Cabaço como “pioneiro heróico e gigantesco” da arqueologia portuguesa.

Para além do Paleolítico, Cabaço localizou estações dos Períodos Mesolítico, Eneolítico, Bronze, Ferro, Romano, Medieval, e ainda de Paleontologia e Antropologia, nos concelhos de Alenquer, Salvaterra de Magos, Azambuja, Peniche, Caldas da Rainha, Santarém, Abrantes, Elvas, Cadaval, e outros.

Sócio nº 96 da Associação dos Arqueólogos Portugueses, relacionou-se e/ou trabalhou em conjunto com arqueólogos portugueses do seu tempo como Rui de Serpa Pinto, Eugénio Jalhay, Mendes Correia, Afonso do Paço, e estrangeiros como Henry Breuil e Georges Zbyszewski.

 

Espólio e Museu

Em 1944, a Câmara Municipal de Alenquer, com a participação da então Junta de Província da Estremadura, adquire a colecção de Hipólito Cabaço, com o fim de esta servir de fundo à futura instalação de um Museu na vila. Espólio constituído por cerca de quinze mil objectos, guardados na referida Casa da Torre, até aqui residência do arqueólogo e, posteriormente, instalações do extinto Externato Municipal Damião de Goes. Neste edifício permanecem por mais uns anos, até serem armazenados numa da dependências da antiga Aula do Conde de Ferreira.

Mas as condições para a abertura de um Museu só foram reunidas após a revolução de 25 de abril de 1974 coma entrada em funções da primeira Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Alenquer, presidida por Francisco Vasques Ferreira. É então composta, por deliberação camarária, uma comissão directiva com o objectivo de reorganizar a coleção de Hipólito Cabaço.

Desta comissão faziam parte António Rodrigues Guapo, Fernando Vieira Leitão, Francisco Perestrello Caldas, João Fernandes Gomes, José Barreto Domingos, Padre José Eduardo Martins e Manuel Maria Oliveira. António de Oliveira Melo surge como o elo entre a Comissão Administrativa da Câmara Municipal, da qual era membro, e a comissão directiva do Museu.

Em menos de um ano, este grupo reorganiza todo o espólio e estoura a exposição permanente, à qual pretendeu, na medida do possível, dar uma orientação lógica e didáctica.

 

Espaço e Edifício

Situado em pleno centro histórico de Alenquer, o Museu Municipal Hipólito Cabaço, tem estado até ao momento instalado num edifício que foi outrora uma antiga Aula Conde Ferreira, cuja construção se iniciou em 1871, vindo a ser inaugurada em 20 de novembro do ano seguinte.

Neste preciso momento o espólio do grande arqueólogo de Alenquer está em fase de “mudança de casa” em virtude do município lhe ter reservado um espaço nobre da vila -a Casa da Torre - que outrora lhe serviu de residência e agora o irá glorificar.

Notável e imponente, a Casa da Torre apresenta hoje características de uma casa nobre dos séculos XVII ou XVIII, construída sobre uma torre provavelmente medieval de onde lhe vem o nome. Situada no limite do perímetro do Centro Histórico de Alenquer apresenta nas suas proximidades alguns pontos de interesse, como a Fonte de São Pedro, o miradouro, a antiga ermida de São Sebastião, terminando na interessantíssima “Arcada”. Foi, segundo Guilherme Henriques, propriedade e residência dos Teles, família nobre alenquerense que já a habitaria no século XV. Já nos finais do século XVIII pertenceu à família Leal Arnaut. Durante o século XIX foi residência de Augusto Lafaurie, dono da «Fábrica do Meio». Ainda na última década daquele século ali esteve instalada a Escola de Desenho Industrial Damião de Goes.

Na década de 1920, foi adquirida pela família Costa Cabaço, passando desde então a servir de residência a Hipólito da Costa Cabaço, que nela reuniu, nos cerca de 25 anos que ali morou, a maior parte da sua extensa e valiosa coleção arqueológica. Ali se constituiu o Museu Hipólito Cabaço, ocupando uma das dependências da casa, e ali permaneceu mesmo depois da Câmara Municipal de Alenquer o ter adquirido em 1944, sendo visitado e estudado por vários arqueólogos de importância nacional e internacional. Cabaço venderia a casa nos finais dos anos quarenta, passando então a funcionar ali o Colégio Municipal Damião de Goes. Mesmo assim o Museu permaneceu no mesmo edifício e dele só sairia em meados da década de sessenta para um rés-do-chão alugado pela Câmara na Rua Amorim Lima, de onde transitou, alguns anos mais tarde, para a antiga Aula do Conde de Ferreira, onde permaneceu cerca de quatro décadas.

Totalmente reconstruída e reestruturada, nas duas últimas décadas do século XX, pela Câmara Municipal de Alenquer, primeiro adaptando-se uma ala para a instalação da Biblioteca Gulbenkian, Arquivo Histórico e Delegação Escolar, posteriormente, o corpo principal do edifício, para gabinetes de técnicos de engenharia, arquitetura, topografia entre outras áreas; hoje, prepara-se para instalar o Museu Municipal em todo o seu espaço. Acolherá todo o espólio do Museu, constituído por peças pertencentes à Coleção Cabaço e pelo material incorporado a partir de 1974, depois da nomeação por parte da Comissão Administrativa Municipal pós-25 de Abril, de uma comissão instaladora do Museu Municipal Hipólito Cabaço. O Museu dispõe também um arquivo histórico e de uma biblioteca especializada nos temas das suas coleções.

Contactos

Telf: 263730900
E-mail: geral@cm-alenquer.pt

Morada

Calçada Francisco Carmo, Alenquer.

geral@cm-alenquer.pt 

 

Outras informações

s.com/2015/03/exposic3a7c3a3o_reconhecer-hipolito-cabac3a7o.pdf