Unesco

Próximo Passo

Artes e cultura: os impactes da crise pandémica; e depois?

As artes e a cultura foram das primeiras áreas da vida social a sofrer o impacte da pandemia. Prestadoras de serviços considerados não essenciais, as suas instituições tiveram as agendas canceladas de imediato. A vulnerabilidade dos seus profissionais ficou, também de imediato, exposta.

A previsível diminuição do rendimento dos Estados, como das famílias, originada pela queda abrupta da economia, terá agora, como no passado, repercussões diretas na atividade cultural. Todos despenderão menos em arte e cultura.

O primeiro movimento gerado pela crise testa a capacidade de resistência das organizações e dos profissionais. Quantos e como sobreviverão? A paralisação forçada e uma provável dilação da retoma acentuarão ou darão azo a novas desigualdades entre os diversos setores da atividade cultural?

Mas esta crise, prolongando uma crise que despontara em 2008, não se repercutirá apenas na amplitude e diversidade da oferta cultural e nos seus níveis e modelos de financiamento. Ameaça simultaneamente modos de fazer e de comunicar, de induzir partilha e apropriação, formas de relação entre instâncias culturais e públicos.

Se a crise vier, como tudo indica, a provocar ou acelerar mudanças sociais muito significativas, se vier a ter consequências pesadas no plano político, também aqui provocando ou acelerando alterações profundas na organização dos Estados e nas relações inter-Estados, a cultura não ficará à margem das transformações que tenham lugar.

Se o tempo é de resistência, é também de reflexão. Entre o risco de pensar demasiado cedo, sem a disponibilidade de todos os dados da situação, e o risco de ceder ao pessimismo paralisante, o que vale a pena correr é o primeiro.

A condição das artes e da cultura sob o impacte da pandemia não poderá prescindir de ambição. Organizam-se as defesas sem deixar de projetar novas oportunidades. Ambas são vitais e merecidas.

A Rede de 26 municípios das comunidades urbanas de Leiria, Oeste e Médio Tejo constituída em 2019, na sequência da vontade de projetar uma candidatura a Capital Europeia da Cultura, pretende contribuir para o debate em curso sobre Artes e cultura: os impactes da crise pandémica; e depois?

O debate ocorrerá numa plataforma digital, de acesso livre, organizada em torno de dez temas num questionário aberto. Cada participante poderá manifestar a sua posição relativamente aos temas que entender.

Os ateliês constituídos pelos contributos dos participantes serão tornados públicos regularmente. Para tal serão enquadrados no Congresso intitulado O Futuro da Nossa Cidade, que decorrerá entre maio e outubro próximos.

A escolha dos temas, a gestão das respostas e sua publicação, bem como a revisão regular da formulação das perguntas resulta de uma parceria entre a Rede Cultura 2027 e a Cátedra Unesco em Gestão das Artes e da Cultura, Cidades e Criatividade, do Instituto Politécnico de Leiria. Investigadores indicados por esta Cátedra Unesco constituirão um Grupo Relator do Próximo Passo, que efectuará e divulgará regularmente uma síntese das reflexões e propostas inscritas nesta plataforma.

O DEBATE É NECESSÁRIO. O SEU CONTRIBUTO É INDISPENSÁVEL.