3ª questão – A cultura nos média digitais

A crise incrementou e acelerou a oferta de conteúdos através dos média digitais. Esta solução será transitória ou veio para ficar? E de que forma condiciona a própria criação e transmissão cultural? Há quem veja nesta tendência estímulos novos à curiosidade e à participação dos públicos. O digital levou a criação para áreas próximas ou capturadas pela indústria cultural, como o gaming, e disseminou estruturas de criação em formas híbridas, da chamada co-criação. Importa também refletir sobre o sentido destas mudanças. Vão prosseguir e ampliar-se?

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4 Comentários
Sónia Honório
Artista Plástica
13 Jul 2020
Creio que o digital veio para ficar e é um excelente médium entre artista e publico. Não como ato único mas como complemento do ato presencial. Nada substitui a presença mas num planeta a desmantelar se, temos por dever negociar estratégias que sejam sustentáveis à vida. Do ser humano e do planeta.
Luis Figueiredo
Técnico Superior
31 Mai 2020
Reporto um documento da Universidade do Minho que considero de uma grande atualidade, pois ainda decorre a sua investigação, e onde me revejo nesta apreciação. Como disse, trata-de de um estudo liderado pela Universidade do Minho que analisa efeitos da Covid-19 no setor da Cultura e foi coordenado por Manuel Gama, acontecerá até março de 2021, medindo, através do Observatório de Políticas de Comunicação e Cultura, a forma como a pandemia afeta o setor que viu milhares de eventos adiados e cancelados, deixando em “situação dramática” organizações e profissionais da cultura. Esta análise foi iniciada no passado mês de março e mede o impacto mediático e o fluxo de notícias sobre os efeitos da Covid-19 no setor cultural nacional, assim como as iniciativas do Governo. Recorrendo a sites de jornais nacionais e de municípios e entidades intermunicipais, foi possível, na primeira fase da investigação, concluir que existe um “número reduzido de referências explícitas à cultura”. Manuel Gama explica em comunicado que, nessas referências, há um “nítido predomínio do enfoque nos impactos negativos” da Covid-19 no setor. O estudo revela ainda que “o papel dos serviços, organismos e entidades da administração direta ou tutelados pelo Ministério da Cultura em alguns casos se consubstanciou numa atitude passiva e inoperante”.
Para ser possível realizar a investigação, foi elaborado um questionário que permitiu chegar à conclusão, através das respostas de profissionais e organizações do setor, que “se não forem tomadas medidas urgentes, substantivas e estruturantes, o setor cultural português poderá sofrer danos irreparáveis fruto da pandemia”. Os dados revelam ainda que, “para além das perdas imediatas que as medidas transversais e setoriais não estão a ser capazes de dar uma resposta cabal, no final de 2020 poderemos assistir, não só a um agudizar da precarização, como a um incremento no desemprego de profissionais do setor cultural que tinham contratos de trabalho”.
A realização deste estudo foi feita por uma equipa multidisciplinar, que integra ainda Rui Vieira Cruz, Daniel Noversa e Joana Almada. O relatório cumpre ainda uma das missões do POLObs (observar a atividade cultural) e servirá para criar documentos que permitam lançar olhares sobre o fenómeno.
Está lançado o debate…..
Luis Figueiredo
Técnico Superior
28 Mai 2020
A oferta de conteúdos através dos média digitais tem vindo a ganhar terreno no nosso tempo e a implementar-se nos circuitos culturais, permitindo a transmissão de conteúdos culturais de forma massiva e ampla, sem fronteiras físicas que perturbem este crescimento.
Resta saber se esta onda de crescimento vem acompanhada de desenvolvimento associado a esta divulgação digitalizada.
Penso que na ausência de dados sustentáveis sobre a temática, deverá prevalecer o bom senso, pois a haver uma progressão e uma consolidação de conteúdos digitais na área cultural, deveria haver ainda uma forma híbrida de forma a ir-nos adaptando a esta nova nomenclatura, deste novo ver a Arte e a Cultura em formato não físico, sem o contacto humano de proximidade.
Tudo isto é novo para mim, tudo isto ainda me assusta, poder pensar que a breve trecho teremos os Museus vistos numa plataforma digital e o espaço físico vazio, sem o factor Humano, aquele que lhes dá vida e que é o seu sangue.
Vou adaptando-me…..
Patrícia Martins
Técnico Superior de Animação Cultural
22 Mai 2020
Na minha opinião as possibilidades de acesso ao pensamento, conhecimento e proximidade entre agentes culturais all over the world , que o virtual proporcionou terão sido uma grande mais valia neste cenário pandémico e um registo a manter como aliado ao presencial. As possibilidades de encontro virtual para reuniões conferências, webbinars etc...evitando deslocações físicas são soluções interessantes e que na minha opinião poderão vir para ficar.
No que respeita ao trabalho de criação artística o caso já muda de figura. É importante cuidar as possibilidades de encontro, a fiscalidade, a pele, estar com o outro, a embodied experience...Neste aspeto o digital não deve nunca substituir-se ao real.