8ª questão – regresso a valores

De que lado do futuro ficará a arte e a cultura na fase de recuperação da crise pandémica? Como lidará com tendências recentes como o aumento das desigualdades sociais, a ascensão dos regimes autocráticos, a disseminação de populismos e nacionalismos, a degradação ambiental? Para que comunidade nos vai convidar: a democracia, a cidadania, o cosmopolitismo, a solidariedade e a hospitalidade, a Europa?

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3 Comentários
Luis Figueiredo
Técnico Superior
05 jun 2020
O populismo e os nacionalismos estão em ascensão por todo o lado. No Ocidente e no Leste, nas pequenas e nas grandes potências. À esquerda e à direita, no governo e na oposição. O populismo tornou-se uma buzzword no discurso político e mediático. Fala-se da ideologia populista, dos partidos populistas e nacionalistas, do estilo populista, dos líderes populistas. Mas, afinal, do que falamos quando falamos de populismo? Tentarmos perceber o que é esse fenómeno que atravessa o mundo contemporâneo deverá ser uma preocupação cada vez mais emergente na nossa sociedade. O que é o populismo? É um inimigo ou um aliado da democracia? É igual nos Estados Unidos de Trump e na Europa de Orban e Salvini? E Portugal, estará a salvo dos populismos?
Como podem verificar serão muitas as dúvidas que nos assiste neste momento, mas uma certeza temo-la desde já; só com a nossa participação cívica será possível enfrentarmos esta “afronta” aos nossos direitos sociais e políticos, adquiridos com o evoluir das comunidades e das mentes humanas.
Num momento de pósCóvid-19 deveremos ter muita atenção à ascensão destes nacionalismos, completamente adversos e inimigos à participação democrática das nações.
Logicamente que as Artes e a Cultura deverão acautelar-se com estas demagogias populistas, não alimentando estes "visionários" da utopia social, qual abutres que chegam sempre nas crises aproveitando-se da fragilidade do momento.
Debater estas ideias já é um princípio de cidadania.
Patricia Martins
Tecnico Superior de Animação Cultural
22 mai 2020
A meu ver é cada vez mais premente cuidar de estabelecer uma relação entre arte e educação.
A reflexão em torno de questões sociais, de democracia e participação por intermédio do estimulo do dialogo entre pares, do pensamento crítico, do aceitação do outro e do respeito pela opinião, podem ser estimulados em contextos escolares, serviços educativos e mediação cultural.

A reflexão conjunta em torno das artes , estimula o pensamento divergente, o diálogo e consequentemente forma individuos mais conscientes das dinâmicas de cidadania e democracia. A consciência e o sentido de pertença a uma comunidade de múltiplas identidades e ideologias, mas na qual sou livre de ter a minha própria opinião e identidade.

É importante criar espaços de encontro e de reflexão não só académica mas em contextos mais informais que não intimidem a participação.

É importante pensar em espaços abertos inclusivos e acessíveis à participação.

É importante pensar os espaços culturais como espaços abertos e inclusivos e encontrar estratégias para chegar aos públicos que se sentem intimidamos em experimentar a sua fruição.
Inês Pina
Mestrado Design Gráfico
10 mai 2020
A meu ver, a arte e a cultura é o que nos torna únicos, podemos ter uma cultura e expressão artística influenciados pela sociedade ou pelo ambiente em que fomos criados. No entanto cada individuo tem uma vida particular e recebe estímulos únicos, isto justifica o porquê de termos tantas pessoas diferentes dentro de uma mesma comunidade.

Uma comunidade por si só contém diversos grupos, logo diferentes percepções de (sub)cultura e arte. Dito isto eu acho que a cultura e a arte estão em constante mudança e evolução, não numa direcção unilateral, mas em expansão completa e é necessário criar um espaço de partilha entre todas estas subculturas, porque acredito que temos muito a aprender uns com os outros.

Um meio onde é possível partilhar e descobrir diversas perspectivas de cultura e arte é um espaço onde pode surgir uma ideia revolucionária, uma ideia inclusiva, um local onde todos nos sintamos em casa. Será um espaço onde vai existir partilha, tolerância e conhecimento.

Mas para isto é necessário que os artistas (designers, músicos , artistas plásticos, atores, escritores ... etc) sejam valorizados como indivíduos que geram conhecimento, pela sua própria expressão artística, pela sua forma de abordar e comunicar os problemas, de ver o mundo. Porque vão ser estas perspectivas que vão gerar ideias fora do que já foi criado, que nos vão fazer pensar em algo fora da caixa.

A arte e a cultura é o que nos torna humanos, é o que nos liga, é aquilo que nos faz sentir, são o meio de comunicação mais forte que já alguma vez inventamos, porque são genuínas.